Netflix, Disney+ e Amazon Prime investem bilhões em produções coreanas. Entenda como o Hallyu se tornou um dos maiores soft powers do planeta e o que isso significa para o futuro do entretenimento.
Em 2021, Round 6 estourou como o seriado mais assistido da história da Netflix. Em poucas semanas, 142 milhões de contas haviam pelo menos iniciado a série. Mas Round 6 não surgiu do nada: ele é o ápice de uma onda que já vinha crescendo há duas décadas.
O que é o Hallyu?
Hallyu, ou "Onda Coreana", é o termo usado para descrever a disseminação global da cultura sul-coreana. Começou com a música K-pop nos anos 90, mas foi a partir de dramas coreanos (K-dramas) que o fenômeno ganhou dimensão estratosférica.
Diferente das produções ocidentais, os K-dramas costumam ter entre 12 e 16 episódios por temporada. Isso torna o ritmo mais denso, com menos enrolação. O roteiro é fechado desde o início — o fim já é conhecido pelos roteiristas, o que evita aquela sensação de que a história está sendo improvisada.
Por que eles funcionam tão bem?
Há uma fórmula que parece mágica, mas é puramente técnica. Os K-dramas misturam:
- 1Emocionalidade intensa: os personagens carregam conflitos internos profundos, muitas vezes ligados a honra, família e dever social
- 2Estética impecável: cada cena parece uma fotografia de revista, com direção de arte cuidadosa
- 3Trilha sonora marcante: cada série lança canções originais que viram hits independentemente
- 4Cliffhangers perfeitos: o final de cada episódio é construído para deixar o espectador grudado na tela
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O impacto na economia coreana
Segundo o Banco Central da Coreia do Sul, o Hallyu gerou cerca de 12 bilhões de dólares em exportações culturais em 2023. Isso inclui desde música e séries até cosméticos, turismo e tecnologia. O efeito cascata é impressionante: uma série popular em Seul pode dobrar as visitas de turistas a um bairro específico.
A Samsung e a LG, gigantes da eletrônica, usam cenas de K-dramas como catálogo vivo de seus produtos. Celulares dobráveis, eletrodomésticos inteligentes e carros elétricos aparecem organicamente nas produções — e as vendas no exterior disparam.
O futuro do entretenimento global
Plataformas como Netflix, Disney+ e Amazon Prime já possuem estúdios dedicados exclusivamente a conteúdo coreano. A Apple TV+ entrou na briga recentemente com investimentos milionários. O que estamos vendo é uma reconfiguração completa do centro criativo do entretenimento mundial.
Não é exagero dizer que Seul se tornou a nova Hollywood — pelo menos no que diz respeito à inovação narrativa e ao poder de conexão com audiências globais. E o melhor: a onda está apenas começando.