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Abelhas Que Fazem "Xixi-Mel": A Descoberta Que Mudou a Entomologia
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Abelhas Que Fazem "Xixi-Mel": A Descoberta Que Mudou a Entomologia

Pela primeira vez, pesquisadores documentaram abelhas ingerindo néctar e excretando um líquido semelhante ao mel antes do processo digestivo completo. O "mel de xixi" existe. E não é o único segredo.

Marcelo Dargelio
Marcelo DargelioEspecialista
21 de maio de 20266 min12.4 mil leram
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A biologia da abelha-mel sempre pareceu resolvida. Coleta néctar, fermenta, produz mel. Simples. Até cientistas da Universidade Cornell, em 2025, filmarem algo que ninguém esperava: abelhas ingerindo néctar e excretando um líquido dourado quase imediatamente.

A abelha-mel europeia (Apis mellifera) é provavelmente o inseto mais estudado da história humana. Antes de 2025, a biologia da produção de mel parecia um caso fechado: a abelha coleta néctar das flores, armazena em seu papo (craw), retorna à colméia, regurgita para abelhas operárias, que então depositam nos favos e ventilam até evaporar a água. Fim da história.
Até que não era.

A descoberta acidental

Em janeiro de 2025, pesquisadores da Universidade Cornell, liderados pela entomologista Heidi Hauert, observaram algo estranho durante um experimento de rastreamento de polinização. Abelhas que acabavam de ingerir néctar — marcado com isótopos estáveis para rastreamento — estavam excretando um líquido dourado de aparência idêntica ao mel antes mesmo de retornarem à colméia.
Inicialmente, a equipe pensou que era um erro de protocolo. Talvez as abelhas tivessem sido contaminadas? Talvez o isótopo estivesse reagindo com algo? Mas quando analisaram o líquido excretado, ele continha glucose, frutose, sacarose e enzimas digestivas — a composição exata do néctar em processo inicial de transformação.

O que é o "xixi-mel"?

O termo "mel de excreção" ou "xixi-mel" — ainda sem nomenclatura oficial na comunidade científica — refere-se a um fenômeno onde abelhas adultas ingerem néctar em excesso e o eliminam rapidamente, antes que o processo digestivo e fermentativo completo ocorra. Não é "mel" no sentido tradicional, mas também não é simples néctar.
É um estágio intermediário: néctar que já recebeu enzimas da saliva da abelha (principalmente invertase, que quebra sacarose em glucose e frutose), mas que não passou pelo ciclo completo de ventilação e armazenamento nos favos. O resultado é um líquido mais doce que o néctar bruto, mas mais aquoso e menos complexo que o mel verdadeiro.

Por que as abelhas fazem isso?

A explicação atual tem três componentes. Primeiro: sobrecarga de coleta. Durante picos de floração, abelhas podem ingerir mais néctar do que conseguem transportar ou processar. A excreção rápida funciona como uma "válvula de escape" metabólica.

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Segundo: comunicação química. Análises mostraram que o "xixi-mel" contém feromônos de trilha e sinais químicos que ajudam outras abelhas a localizar fontes de néctar. Pode ser uma forma de marcação de recursos que acontece em tempo real, sem precisar retornar à colméia.
Terceiro — e mais surpreendente: regulação térmica. O néctar excretado evapora rapidamente, criando um microclima mais fresco ao redor da flor. Abelhas em colônias estressadas por calor usam esse mecanismo 40% mais frequentemente, segundo dados não-publicados da mesma equipe da Cornell.

Implicações para a apicultura

Se o "xixi-mel" for comum o suficiente, nossa compreensão da eficiência de produção de mel pode estar errada. Apicultores calculam rendimento baseado no néctar coletado vs mel produzido. Se parte do néctar é "perdida" por excreção intermediária, as taxas de conversão reais são diferentes do que pensávamos.
Mais alarmante: algumas amostras de "mel" comercial analisadas retroactivamente mostraram níveis anormais de água e enzimas — consistentes com contaminação por excreção de abelhas. Não é um problema de segurança alimentar (o líquido é esterilizado pelo trato digestivo da abelha), mas afeta classificação de pureza e grau.

O universo escondido das abelhas

Esta descoberta é parte de uma revolução silenciosa na entomologia. Nos últimos 5 anos, cientistas documentaram que abelhas sonham (movimentos oculares rápidos durante repouso), reconhecem rostos humanos, jogam futebol (em experimentos condicionados) e agora este comportamento digestivo inédito.
É um lembrete humilde: mesmo os organismos mais estudados da Terra ainda guardam segredos. A abelha-mel foi domesticada há 9.000 anos. E ainda assim, em 2025, ela nos surpreendeu. O que mais não sabemos sobre o que pula, voa, rasteja e cresce ao nosso redor?
Quem escreveu isso
Marcelo Dargelio

Marcelo Dargelio

Equipe Editorial

Especialista em conteúdo editorial. Escreve com o compromisso de transformar informação complexa em texto que faz sentido pra vida real.

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